Lube2Conceive & Beyond
Os lubrificantes vaginais são comumente usados por casais de forma a aumentar o conforto durante a relação sexual, ultrapassando situações de secura vaginal e/ou dificuldades na relação sexual, consequência do uso de contraceptivos hormonais, tabagismo, aleitamento, pré-menopausa ou menopausa, com a relevância da vaginite atrófica nesta condição. O aumento da esperança média de vida e da sensibilização crescente para o empoderamento das mulheres, impulsiona o uso desta tipologia de produtos. De igual forma também a comunidade LGBT tem sido impulsionadora do desenvolvimento deste mercado. De facto, prevê-se que o mercado dos produtos lubrificantes crescerá cerca de 8% de 2024 a 2032.
Também tem sido observado o crescimento de produtores lubrificantes locais ou de menor dimensão em competição com os grandes produtores deste tipo de produtos e o aumento da estratégia do private label, incluindo em marcas da grande distribuição. Os EUA posicionam-se como líderes neste mercado, seguidos da China, Japão e Índia. A cultura de um estilo de vida saudável e do uso de produtos suplementados com plantas medicinais e de origem natural, sem fragrância, é uma tendência de mercado, atraindo o consumidor (https://www.marketdataforecast.com/market-reports/vaginal-moisturizer-and-lubricants-market). Deste modo, uma oportunidade emergente são os lubrificantes orgânicos e naturais, especialmente os lubrificantes com ingredientes de origem vegetal, sustentados num nicho de produtos sustentáveis e de saúde. Formulações inovadoras, especialmente as focadas em populações com necessidades especiais como os casais em idade fértil, as mulheres menopáusicas e as pessoas submetidas a cirurgias transgénero correspondem a segmentos de mercado com elevado potencial (Personal Vaginal Lubricant Market Strategies: Aligning Growth Goals With Current Industry Challenges, Research Digest, 10 de dezembro de 2024).
A disponibilidade generalizada de lubrificantes e a falta de regulamentação que esclareça o seu impacto em processos chave de fertilidade, particularmente para casais que procuram engravidar (TTC), levaram a Food and Drug Administration (FDA) a criar um novo código de produto (“PEB”) para lubrificantes pessoais. Os produtos PEB são testados através de uma bateria mais ampla de ensaios para serem considerados compatíveis com gametas, processo de fertilização e desenvolvimento embrionário inicial. Apesar deste esforço, não existe um protocolo padrão para essa rotulagem. Na UE, não existe atualmente regulamentação semelhante. Para as restantes populações especiais também não existem recomendações oficiais para o desenvolvimento destes produtos.
Nos últimos anos, a UE promoveu o desenvolvimento de métodos alternativos in vitro, baseados no princípio dos 3Rs para a experimentação animal existindo actualmente uma base de dados bastante ampla de testes alternativos à utilização de animais (DB-ALM) que também inclui protocolos de toxicidade reprodutiva como o Teste de Toxicidade na Maturação In Vitro (nº129) e a Fertilização (nº128) de Oócitos Bovinos ou o Teste de Células Estaminais Embrionárias (nº113). No que respeita à análise da viabilidade espermática, recorrendo aos padrões e guidelines da OMS tem-se observado que uma vasta gama de substâncias podem afetar a fertilidade masculina. Alguns lubrificantes ou seus ingredientes já foram estudados quanto à compatibilidade espermática e propriedades finais, como osmolalidade e pH, conhecidas por afetar a segurança desses produtos, estão frequentemente fora dos valores recomendados. Existe ainda a necessidade de reavaliar esses mesmos valores recomendados, tendo em conta a potencial toxicidade reprodutiva sendo, por exemplo, a recomendação de um pH ácido na formulação de um lubrificante, potencialmente deletério quando se considera a viabilidade espermática (PMID: 31539059).
O consórcio que constitui a equipa deste projeto tem uma vasta experiência no tópico dos lubrificantes vaginais considerando quer a avaliação tecnológica de formulações, quer os parâmetros de segurança, sem esquecer a funcionalidade esperada para o produto. A UBI e a Labfit acolhem um projeto de doutoramento em ambiente não académico, financiado pela FCT (referência 2022.13956.BDANA) que lançou as bases técnicas para o desenvolvimento complementar deste projeto, visto que permitiu a otimização dos métodos laboratoriais de avaliação da compatibilidade dos produtos lubrificantes com as etapas biológicas fundamentais para a conceção. Esse trabalho laboratorial será aplicado neste projeto para alcançar os objetivos independentes que aqui se definem.
As entidades deste consórcio têm experiência de colaboração em projetos em co-promoção de que se destaca a execução do InovEP ((P2020 – 33815, liderado pela Labfit e co-promovido pela UBI) que visou a avaliação da segurança de extratos de plantas para uso em produtos saúde, tendo avaliado nesse contexto extratos de plantas quanto à sua eficácia e segurança geral. Adicionalmente, a Labfit-HPRD Lda também participou como co-promotora do projeto COOP4PAM (POCTEP0665) que visou avaliar o potencial de aplicação de plantas aromáticas enquanto ingredientes cosméticos. Fica evidenciado o conhecimento do consórcio na temática deste projeto, pretendendo-se agora contribuir para a transferência de conhecimento e a sua valorização partindo de TRLs mais baixas (TRL2-3) para mais avançadas (7-9).


